domingo, 11 de dezembro de 2011

Voluntários leitores


O GASP está preparando um projeto de voluntariado que consiste em  formar um grupo de ledores que possam em horário escalado, de acordo com sua disponibilidade prestar o serviço de leitura para idosos e crianças que não foram alfabetizados ou que estão temporariamente impossibilitados.

Não se trata de trabalho didático, sendo apenas recreativo.
Para os idosos servirá para ajudá-los  vencer o tempo e para as crianças para despertar o gosto pela leitura, incentivando-as e tirando-as da ociosidade perniciosa.

Para participar deste projeto não é necessário experiência, a boa vontade o conduzirá.
No entanto, alguns preceitos são indispensáveis para que o trabalho voluntário não seja prejudicado, tais como:

1)      Amor ao próximo, já que estará tratando com pessoas que gostam de ser tratadas com carinho e respeito, independente da idade;
2)      Paciência, uma vez que a leitura é feita para idosos e crianças que eventualmente poderão interromper a leitura para interagir com a estória;
3)      Comprometimento, pois ao ser escalado haverá alguém esperando por você, ansioso pela oportunidade de conhecer novos mundos através dos livros.

O trabalho de ledores também implica habilidade de leitura.

a)      O ledor deve ler pausadamente, porém sem tornar a leitura monótona e desinteressante.
b)      A pontuação deve ser respeitada para que o texto seja plenamente compreendido.

A escolha pela leitura será feita de acordo com indicação temática que atenda as necessidades do ouvinte, seja pela sua simplicidade linguística , faixa etária ou pela sua expressão moral.

Serão evitados textos que dirijam a opinião para qualquer doutrina religiosa, sendo preferíveis os de conteúdo altruísta e virtuoso.

Serão excluídos textos que contenham qualquer menção racista, discriminadora, violenta ou preconceituosas de qualquer ordem, por motivos óbvios.


Se você concorda com esses preceitos, encaminhe um e-mail para zilcamargo@gmail.com, para efetuarmos seu cadastro e indicá-lo para o trabalho voluntário mais adequado à sua disponibilidade.




Infância roubada


Tenho convivido com algumas crianças, demasiadamente preocupadas com os problemas que nós, adultos, lutamos para administrar. Escuto-as falando sobre a guerra do Iraque, a vida no Afeganistão, a fome e a reconstrução no Haiti, a gripe suína e outros assuntos de tirar o sono, ainda que não tenham a compreensão exata de tais temas.

Observando-as lembro da minha própria infância.  Minhas preocupações eram com o albúm novo do Menudo, a prova de matemática e outros dilemas relacionados à minha vida doméstica. E voltando cada vez mais no tempo, percebo que estamos destruindo o conceito de infância que criamos.

Antes disso ( e bota antes nisso) as crianças, sem acesso às leis que as protegem, ou deveriam protegê-las, ingressavam na chamada vida adulta conforme a necessidade. Alexandre, antes mesmo de ser O Grande (e aqui cabe o ponto de vista em relação à tal "grandeza"), já estudava filosofia aos 13 anos e aos 16 comandava exércitos.

Sem querer entrar profundamente no cerne da questão, é evidente que as disparidades sempre existiram, mas de uma maneira geral, criamos um modelo comportamental de forma que as necessidades das crianças começaram a ser tratadas como um mundo à parte. Assuntos como dinheiro, fome, dificuldades e outros mais secretos como sexo, passaram a ser guardados para que somente após a passagem para a vida adulta fossem desvendados.

Esse modelo, inserido no contexto social está dia a dia indo ladeira abaixo com o indiscriminado acesso à informação pela tela da TV e muito mais pela tela do PC.  E nos demonstra que a diferença entre o infante Alexandre, o Grande e nossos pequenos Alexandrezinhos espalhados pelo mundo está sob o fio da navalha.

Nossas crianças, nossas e do mundo, seguem cada vez mais cedo comandando seus pequenos exércitos particulares, seja na milícia do tráfico, seja na desesperada luta contra a pedofilia e aliciamento sexual.
E o modelo antes desejado de uma infância que contasse com o lobo mal como seu maior perigo é roubada debaixo de nossos olhos.

O GASP, há anos tenta através de suas pequenas ações minimizar os efeitos cruéis e devastadores dessa realidade. Ainda que com carência de recurso material ou humano, uma pequena ação aqui, outra pequena ali, acredita que algum suspiro de satisfação, alívio ou esperança pode ser conservado.

I Concurso Nacional de Poesias do GASP

No final de 2008 tive muitas experiências com crianças de uma escola pública em São Paulo. Essas crianças fazem parte de um projeto de férias que em troca da frequência nas atividades extra escolares recebem cestas básicas e leite em pó.

Trata-se de iniciativa privada, de uma alma boa que prefere ser anônima, mas que estava carente de recursos para dar continuidade ao projeto e qualquer ajuda seria  aceita com muita alegria.

Uma das atividades desenvolvidas no projeto é focada no exercício literário através de redações, rodas de leitura, poesia e participação de contadores de história.

Parceiro dessa iniciativa, o GASP lançou o I Concurso Nacional de Poesias, sob o tema " O mundo sob meus olhos"  cujo edital foi publicado no site A Garganta da Serpente e teve as inscrições encerradas no dia 31/01/2009.

Por termos um prazo curto entre publicação e encerramento das inscrições, recebemos 22 obras de diversas regiões do país e uma forte participação do estado do Rio de Janeiro.

A verba arrecadada com a taxa de inscrição foi utilizada para aquisição do material de premiação e o saldo revertido em mantimentos que colaboraram com a finalização do projeto de férias garantindo mais um mês de cestas básicas para as famílias inscritas.

No dia 15/02/2009 foi publicada a relação dos vencedores  no site A Garganta da Serpente e individualmente para cada participante.

Agradeço a todos os inscritos, me orgulho do talento de cada um deles e deixo aqui uma menção especial à minha querida amiga Angélica Sumaya, por seu incentivo e compreensão de sempre.


"Comece pelo necessário, depois faça o possível e quando perceber estará fazendo o impossível"

A iniciativa da I Festa do GASP nos rendeu alegrias, amigos, histórias, emoções, realizações e outros olhos para ver o mundo.

Vieram outras festas, outras visitas, outras vontades, outras verdades.

Mais que a contribuição que pudemos prestar a entidades carentes, foi o que pudemos ganhar. Eu agora falo por mim e sobre o que significou em minha vida criar o GASP.

Nossos trabalhos foram poucos e modestos, mas me permitiram enxergar as pessoas com um olhar mais profundo. Permitiram que eu mesma me enxergasse com mais verdade e desvendasse algumas inverdades também.
Encontrar esses amigos queridos me deu a dimensão exata do que eu queria atrair para mim e tantos outros : a Claudia , o Anderson, a Magali, o Tadao, a Bia... Puxa vida, que saudades deles !

O necessário é olhar além de si mesmo, o possível é enxergar o olhar que te pede, que te entrega, que se entrega, e o impossível ?

O impossível é uma palavra tão enigmática quanto distante. O que pude aprender com o GASP eu procuro trazer para todas as minhas vivências. Entendi que "semelhante" é uma palavra muito poderosa e que tudo o que vemos e até o que 
desprezamos contém um pouco de nós.

Olhe esses rostos. Não é possível que você não encontre nada de seu neles. 
 


Neste dia, quando saímos do Orfanato São Judas Tadeu, que tristeza em não poder trazê-los imediatamente comigo.
Hoje, toda vez que olho para esta foto, ainda que eu não saiba qual foi o destino que tomaram, eu sei que ao contrário do que pensava, eles vieram comigo e nunca mais se separaram de mim...

Aprendi que dividir é igual multiplicar.

Alguém tinha que se mexer !

Um dia você acorda sem se dar conta que uma ideia pode mudar sua história, ou a vida de alguém. Notem que as melhores coisas acontecem assim : despretensiosamente.

Eu estava com uma imensa vontade de festejar e em uma conversa com minha querida amiga Adriana Patricia de Souza, que em 1998 era minha companheira de trabalho, resolvemos promover uma festa à fantasia. Não tínhamos dinheiro, mas tínhamos vontade e com ela fomos enchendo um enorme pacote de sonhos.

O Alexandre Avila e a Fabiana Pontes, também colegas de trabalho, gostaram da ideia e juntaram-se a nós. Em um mês estava tudo pronto: uma casa noturna cedeu o espaço gratuitamente, uma gráfica doou os convites impressos, uma transportadora disponibilizou um caminhão e o espaço para armazenagem, e as pessoas trouxeram o coração.

O que era pra ser um happy hour se transformou na I Festa Beneficente do GASP.
 Aconteceu em 23/09/1998, uma quarta-feira, às 21:30hs, contou com a presença de aproximadamente 300 pessoas e arrecadamos uma tonelada de alimentos não perecíveis.
É incrível como esse tipo de energia mobiliza as pessoas. De todos os lados aparecia gente interessada em ajudar, a fazer parte, a dar dicas preciosas como as de Mirivani Claudio, gerente da casa noturna que nos ensinou a pesquisar as instituições beneficiadas, a divulgar a festa, a gerenciar a distribuição dos donativos.

No sábado seguinte à festa, nos reunimos para separar, dividir e entregar os alimentos para as quatro entidades escolhidas, a saber: Associação Cruz Verde, Obras Sociais do Colégio Assunção, Amparo Maternal e Casa de Marcos. Foi então, que Ricardo Reis veio se juntar ao grupo e às nossas vidas.




E assim nasceu o GASP, proporcionando experiências inesquecíveis através das visitações às instituições, nos encontros dos colaboradores, nos ideais, na consolidação de valores.

Batizamos a festa de "Alguém tem que se mexer" e no verso do convite lia-se o seguinte:
Ando doente e dizem que não há cura.
Num dia desses quando conseguir dormir, como sempre na rua,
Tive um sonho colorido e engraçado:
Iam entrando do outro lado, numa festa animada
Deixando um pacote na entrada, um anjo e uma fada.
Os amigos alegres os chamavam para dançar
Tudo aquilo, tão estranho, se esclareceu no final, pois
Ouvi dizer que os pacotes eram para fome de um menino pobrezinho
Sorri e levantei da calçada, pois a minha cura já estava a caminho